
“Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.”
(Platão)
"I THINK THEREFORE I BLOG"

Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Um dia para ações e reflexões; um dia criado para que o mundo todo volte sua atenção para metade de seus habitantes.
A cada 08 de março há comemorações Brasil afora, o comércio lucra um tanto, recebemos cumprimentos, elogios, talvez um mimo e rosas, muitas rosas.
Mas e mundo afora? Como é celebrado este dia no Oriente Médio, em que as mulheres estão condenadas ao enclausuramento de uma burka a vida toda, mostrando não mais que os olhos? E onde elas não podem colocar à mostra tornozelos ou cabelos, correndo o risco de serem apedrejadas ou chicoteadas? E em locais da Africa onde, assim que nascem, passam por um processo de mutilação do clitóris, para que não sejam permitidas de sentir prazer sexual? E a violência doméstica, já banalizada por sua recorrência cotidiana? Séculos se passaram e esses exemplos não são diferentes das bruxas da “Santa” Inquisição e outros horrores que a história nos conta. Apenas por sermos mulheres.
Aqui no Brasil estamos alguns passos à frente. Conquistamos há pouco tempo o direito do voto, do divórcio (e o fim do preconceito que ele trazia à mulher), participamos ativamente da renda familiar (ainda que em muitos casos, com salários inferiores aos dos homens), somos mães e profissionais ao mesmo tempo. Isso tudo de cima de um salto alto e uma mini-saia. Até a Delegacia da Mulher foi criada para assegurar nossa proteção. Vitórias? Em termos.
A luta feminina não é pelo poder, não é pelas fronteiras, não é pela posse. É a guerra que travamos com rosas; é a guerra do amor maternal, da justiça, da delicadeza, da sutileza, do aflorar dos sentimentos, da geração da vida!
Nós só queremos ser respeitadas de igual para igual pelos homens, na condição de humanas que somos. E fico estarrecida com o quão absurda é essa reivindicação. Todos os direitos que citei logo acima, todas as conquistas obtidas não passam de uma incrível inversão de valores.
A verdadeira luta deste dia é fazer com que ele não precise existir mais.

Numa sessão da União do Vegetal, José Gabriel da Costa, o Mestre Gabriel, foi questionado sobre como poderíamos diferenciar o que é real do que é ilusão. E ele, numa única frase, sintetizou o que alguns precisariam de páginas para explicar:
Robert Happe nasceu em Amsterdã, Holanda. Estudou religiões e filosofias ao redor do mundo e desde 1987 vem compartilhando informações com pessoas interessadas em autoconhecimento e desenvolvimento de seus próprios potenciais como seres criadores. Seus seminários e workshops acontecem em países da Europa, na África do Sul, nos EUA, na Austrália, e no Brasil.
Nesta entrevista ele faz explanações sobre nosso modo de viver e a busca pela nova consciência. É de uma simplicidade grandiosa...
Eu passaria horas conversando com esse homem!


Quando criança, freqüentei aulas de catecismo durante um bom tempo. Desde aquela época, mesmo sem condições de ter opinião formada sobre determinados assuntos e muito menos argumentar com adultos sobre eles, várias questões vagavam na minha mente enquanto ouvia a professora discorrer sobre os assuntos religiosos, como a vida eterna no céu (nossa, mas eu vou ficar lá pra sempre, fazendo o que?); a expulsão de Adão e Eva do Paraíso após comerem uma maçã (mas o que há de errado nisso, será que eu não devo mais comer maçãs?). Divagações infantis perante um amontoado de informações mal transmitidas. E foi justamente o assunto da maçã a fonte da minha primeira decepção com a religião católica. Naquele dia fiquei sabendo que Adão e Eva aceitaram, de uma serpente, uma maçã de uma tal árvore proibida, o que deixou Deus tão zangado com eles por terem desobedecido às suas ordens, que os expulsou do Paraíso. E mais, que a partir desse dia, todos os humanos nascem com o “pecado original”, por causa da desobediência daquele casal. Pausa para a minha perplexidade de criança...
Eu, na minha inocência infantil, pensei “gente, mas o que foi que eu fiz? Eu não fiz nada e já nasci sem chance alguma? Vou ter que carregar um pecado que não é meu?”. Em cinco minutos me fizeram acreditar que eu já nasci condenada a ser uma pecadora e que Deus é vingativo, inclusive com requintes de crueldade, afinal, que pai expulsa os filhos de casa porque fizeram uma “travessura”? Na época eu me senti perdida, hoje eu alimento uma certa revolta contra esse tipo de ensinamento. Ou melhor, esse tipo de dominação. Mais tarde ainda tentaram me explicar que o comer a maçã tinha um sentido figurativo, que o que eles fizeram foi sexo... aí azedou tudo de vez! Então, o que faz com que sejamos concebidos, o que possibilita a vida é um pecado? Isso significa que meus pais repetiram o erro de Adão e Eva e por isso eu herdei o pecado deles?
Meu Deus, como é possível uma religião embutir tanto medo em seus seguidores, desde crianças? Falo da religião católica, pois foi o modelo de educação que recebi, mas a maioria absoluta das religiões segue o mesmo preceito: a criação do conceito de pecado e a imposição do medo para assumir controle sobre os fiéis arrebanhados. A começar dessa palavra, que nos coloca em condição de um rebanho de ovelhas pastoreadas por homens, mortais e pecadores como qualquer outro (ou por vezes até mais, como frequentemente ficamos sabendo), mas que foram dotados por Deus (!) de poderes de absolvição dos pecados de terceiros.
E lá estive eu quando menina, como ovelha arrebanhada, fazendo primeira comunhão, crisma e me confessando a um homem de vestido que eu tinha brigado com minhas irmãs e desobedecido minha mãe. E logo depois de dois Pai Nosso e três Ave Marias rezados mecanicamente eu já estava livre dos meus “pecados”. Ah, que alívio! Não fosse isso eu estaria condenada a arder por toda a eternidade no fogo do inferno!
E que figura terrível pintam de Deus, um velho barbudo sentado numa poltrona, com seus caderninhos, um dourado para anotar as boas ações que você fizer e um preto para tudo de ruim que você aprontar! Esse Deus julgador, punitivo e vingativo, de quem devemos ter medo. "Deus castiga!" foi frase recorrente na minha infância. E como se Deus, na imensidão do Universo, tivesse tempo pra isso! Nosso juiz é a nossa própria consciência que, estando ligada a Ele, sabe em seu íntimo o caminho que deve seguir. Mas temos o livre-arbítrio, o direito de escolha e invariavelmente recorremos aos velhos caminhos errados, portanto, nós mesmos somos responsáveis por tudo o que acontece conosco. Isso é a lei de causa e consequência aplicada e não um castigo de Deus.
O pecado foi a pior invenção das religiões, que resulta, inevitavelmente, num veneno da alma: a culpa, que não nos leva a nenhum caminho positivo. O segredo de ouro é aprender a eliminar a palavra culpa do dicionário, substituindo-a por responsabilidade. Não sou culpada por isso, sou responsável por isso. Há uma grande diferença!
Felizmente hoje tenho consciência do quanto tentaram me iludir e me defino apenas como espiritualista, não seguindo religião alguma. E posso afirmar que estou bem mais perto de Deus do que jamais estive! O meu Deus é o nosso Criador, o Gerador da vida, que perdoa nossas falhas como uma mãe perdoa seu filho ainda criança, porque entende que ele é inocente na sua essência, apenas não sabe ainda discernir entre o certo e o errado.
Não há indícios de que tenha havido um pedido de fonte divina - seja Deus, Jesus, Buda, Alá... - para que fosse fundada uma religião, isso é uma distorção criada pelo homem. Ficar se apegando a dogmas falidos não ajuda ninguém a encontrar a verdade. A busca não é lá fora, não é no templo, nem nos livros... é só aquietar a mente e olhar pra dentro de si. É aí que mora o seu Deus.
Um vídeo inspirador, que mostra o planeta Terra de uma forma nunca antes vista... pelo menos não por nós!
Carl Sagan (1934-1996), astrofísico mundialmente respeitado, foi criador da série de TV Cosmos, de grande sucesso nos anos 80, e autor de diversos livros, entre eles, Pálido Ponto Azul (que originou este vídeo) e Contato, que inspirou o filme homônimo. Recomendo!

Apesar dos grandes avanços tecnológicos alcançados no planeta Terra, a partir do século XIX, não é preciso uma análise aprofundada para chegarmos à conclusão do nosso ainda atrasado patamar perante as leis do universo.
É comum, ainda hoje, os meios de comunicação lançarem no ar a velha e desgastada pergunta: “será que não estamos sós no universo?”. Essa pergunta ainda se faz necessária? Alguém ainda crê que o Universo inteiro – numa infinitude que sequer conseguimos compreender – seja habitado apenas pela humanidade num planeta que não passa de um grão perdido na imensidão? Infelizmente, sim. E, ainda pior, há os que nunca pararam para pensar sobre isso.
Quando alguma sonda descobre água em outros planetas, isso gera assunto em nível mundial e uma expectativa sobre a possibilidade de geração de vida. Mas logo vem uma explicação simplista de que a vida lá seria impossível, já que as temperaturas são muito baixas ou muito elevadas, ou que não há gravidade suficiente, ou a atmosfera não é adequada e assim por diante. Mas isso se considerarmos apenas os tipos de vida que conhecemos: a humana, as plantas, os animais. E é aí que insistimos na nossa prepotência em achar que qualquer tipo de vida no universo tenha que se encaixar nos nossos padrões. Padrões... essa é a limitação, o que nos amarra no atraso, pensando em paradigmas. Einstein veio para minimizar um pouco a nossa ignorância e ditou algumas verdades que ainda não puderam ser totalmente compreendidas, como a não-linearidade do tempo e que um deslocamento no espaço não é restrito à velocidade da luz.
A condição tridimensional (eixos x, y, z) é apenas a nossa forma limitada de noção espacial, mas somos condicionados a pensar atrelados a ela e tentando enquadrar tudo nesta condição. Há pouco mais de mil anos o homem nem sequer conseguia desenhar em perspectiva, ou seja, vivia já num mundo tridimensional, mas a mente ainda funcionava bidimensionalmente.
Outros fatores extremamente limitantes são os cinco sentidos, que nos servem de guia para determinarmos o que é “real”. O que não conseguimos ver, ouvir, cheirar, tocar ou sentir o gosto não é entendido como real. A física quântica é uma luz no fim do túnel no âmbito de considerar uma abordagem mais ampla e livre que a física cartesiana. Hoje já se sabe que um átomo - menor unidade da matéria – tem 99,9999% de espaço vazio! Isso significa que a matéria não é sólida ou “real” como entendemos ser.
Outro ponto a se considerar são os opostos, as polaridades: positivo e negativo, bem e mal, certo e errado, e até mesmo masculino e feminino, que nos conduz a conclusões determinantes, nunca considerando um meio termo, um equilíbrio. O que não é cem por cento certo (ou provado) é errado e isso minimiza em muito a consideração de possibilidades mais amplas, além dos padrões certo e errado. A busca pelo equilíbrio entre as forças opostas está presente na maioria das culturas antigas, como o yin yang, da filosofia oriental.
Não é de hoje que se diz que, enquanto a fé e a ciência não derem as mãos, continuaremos sustentando os véus que nos impedem de ver mais além, de alcançar uma compreensão mais ampla das verdades do universo. Acredito que até hoje não tenha funcionado porque as tentativas foram unir ciência com religião, que não passa de um conjunto de regras criadas pelo homem, como mais uma forma de controle e, portanto não é genuína. Para mim é tão claro que existe um Criador, uma força magnífica que rege o todo, que seria a premissa básica para iniciar uma aventura rumo ao desconhecido, sendo impossível dissociar uma coisa da outra: Criador e criaturas.
Os povos antigos, que chegaram às mesmas conclusões a que tem chegado a nossa ciência milhares de anos depois que eles, são, até hoje, tratados como acasos bem sucedidos. É comum uma admiração de como eles poderiam ter chegado a tais conclusões astronômicas, físicas, matemáticas sem instrumentos, estando ainda na “idade da pedra”. Em vez de aprendermos com o que nos deixaram, insistimos em aceitar como novas descobertas somente o que pode ser provado e elas não são muito diferentes do que eles já nos haviam deixado como conhecimento. E é essa falsa noção de superioridade que nos atrasa, pois é claro que os meios que nossos ancestrais usavam eram em muito mais eficientes que os nossos, tanto que nem precisavam dos aparelhos tecnologicamente “avançados” de que dependemos hoje. Eles estavam conectados com o plano superior, com o divino e isso se dava através da consciência, o nosso próprio aparelho, disponível e de graça. Isso é extremamente mais avançado e maior que supomos hoje. Basta analisar os seus mitos, o culto a seus deuses, que eram invariavelmente as forças da natureza, como o sol e a lua, os planetas, a mãe-terra, os quatro elementos, etc, ou seja, tudo o que nos insere num contexto mais amplo de existência, que nos coloca no nosso lugar em relação ao todo, respeitando a criação como algo Sagrado.
E o elo se quebrou quando, ao invés de evoluirmos no mesmo sentido em que eles estavam indo, inserimos as barreiras do ceticismo e materialismo no meio do caminho. E se deu a estagnação, que persiste até hoje.
À nossa ciência, assim como à humanidade em geral, falta um ingrediente básico para a evolução: a humildade. Só assim passaremos da era da ciência para a era da consciência.

