Há tanto dentro de mim que às vezes não cabe... é preciso extravasar...
Deixo aqui um pouco das minhas ideias, dos meus pensamentos. E também propago os ideais de famosos deste e de outros tempos, pois acreditar num mundo melhor ainda é vanguarda!






22 abril 2010

Dia da Terra




"O mundo não é uma herança de seus pais, mas um empréstimo de seus filhos."







Esta lúcida citação do naturalista John James Audubon, data de 1800 e é provável que quando foi proferida não fosse tão necessária como agora.
Para refletir... no Dia da Terra.


12 abril 2010

Chico Xavier, o Filme


Fui assistir
Chico Xavier no cinema e recebi uma linda lição de humildade e entrega à própria missão. Ainda que isso custe a privação do convívio com a família e o questionamento de sua honestidade pela maioria de uma nação.
Recomendo!

25 março 2010

NOSCE TE IPSUM

Quem é você?

O que você responde ao ouvir esta pergunta? É bem provável que, sem muito pensar, você se auto-defina por sua profissão, cargo ou título, num resumo simplista e mecânico.

Mas quem é você realmente? Quem é o seu EU essencial?

Qualquer descrição e até mesmo nosso nome são limitantes e nos enquadram com uma moldura ilusória dentro do que usamos chamar de realidade. Não somos José ou Maria, apenas estamos José ou Maria.

O questionamento “quem sou eu?” é a pergunta essencial do ser humano e nos conduz a duas buscas intrínsecas: acerca de nós mesmos, já que nos convida a um mergulho interior (quem sou eu essencialmente) e, ao mesmo tempo, busca sentido para o nosso papel no todo (quem sou eu nesse mundo, o que faço aqui, porque existo).

O filósofo grego Sócrates, ao consultar o oráculo no templo de Apolo, deparou com uma inscrição situada acima do portal de entrada: Nosce te ipsum – Conhece-te a ti mesmo -, que tornou-se as bases de sua filosofia, tal a importância desse questionamento.

Todas as respostas já estão dentro de nós, toda a verdade universal, assim como o amor e a consciência divina e nosso papel aqui é a eterna busca por aprender a acessá-las completamente.

A pergunta complementar a “quem sou eu?”, é “o que eu quero ser quando crescer?” (espiritualmente), que me remete ao maravilhoso pensamento de Dom Bosco: “O que somos é um presente de Deus, o que nos tornamos é o nosso presente para Ele”.

Conhece-te a ti mesmo!

Eu, particularmente, não sei se alcançarei essa compreensão tão logo, mas jamais desistirei de tentar.



Quem sou eu? É a única pergunta que vale a pena ser feita e a única que jamais é respondida.

É seu destino desempenhar uma infinidade de papéis, mas esses papéis não são você.

Um Mago não acredita ser um evento localizado que sonha com um mundo maior. Um Mago é um mundo que sonha com eventos localizados.





Trecho extraído do livro

O Caminho do Mago,

de Deepak Chopra

16 março 2010

"O rio passa ao lado de uma árvore, cumprimenta-a, alimenta-a, dá-lhe água... e vai em frente, dançando. Ele não se prende à árvore.
A árvore deixa cair suas flores sobre o rio em profunda gratidão,
e o rio segue em frente. O vento chega, dança ao redor da árvore e segue em frente.

E a árvore empresta o seu perfume ao vento...

Se a humanidade crescesse, amadurecesse, essa seria a maneira de amar."


(Osho)




Ensinamentos para uma vida mais consciente, plena e equilibrada



Desconheço a autoria deste texto, porém seus ensinamentos possuem chaves importantes para quem está na constante busca de auto-aperfeiçoamento.


Ensinamentos para uma vida mais consciente, plena e equilibrada

1. Todos nós, ao nascer, ganhamos um espelho. Este espelho é, então, colado no nosso peito. E assim vivemos toda a nossa vida, refletindo o outro e vendo no (espelho do) outro o nosso reflexo. Hermann Hesse disse : “Se você odeia uma pessoa, odeia algo nela que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos incomoda.”
Viver considerando isto, vai desenvolvendo nossa compaixão, nossa tolerância, nossa empatia e nossa solidariedade para com as nossas fraquezas e dificuldades e as dos outros.

2. Cem por cento do que somos e vivemos (inclusive o que supomos ser acidentes) é fruto de nossas escolhas e opções. Conscientes ou inconscientes. Desta ou de outras vidas.
Viver consciente disto desenvolve nosso discernimento e nossa responsabilidade para com a vida, com as pessoas e com nossas atitudes.

3. Livre-se da culpa. A única função da culpa é manter sua auto-estima baixa (por isso algumas religiões fomentam a idéia da culpa para assim manter poder). Transmute a culpa por responsabilidade. Ninguém é culpado de absolutamente nada, mas todos são completamente responsáveis por tudo.
Viver assim te torna mais atento e cuidadoso para com toda a existência.

4. Desenvolva a aceitação. Sempre que entramos em contato com alguma dificuldade ou fraqueza nossa, através de alguém ou de alguma circunstância, normalmente o primeiro impulso da mente/ego é: ou nos defendemos, negando e resistindo a entrar em contato (muitas vezes entrando na irritação e na revolta, geralmente imputando a culpa a alguém ou a alguma coisa), ou entramos na condição de vítimas, mergulhando na baixa auto-estima.
Aceite sua natureza humana como ela é e aceite também a sua sombra. Entenda que você está aqui na Terra para aprender e expandir sua existência. Um Mestre hindu falou: “Errar, ter defeitos, falhas, fraquezas, é seu direito. Trabalhar para transmutar isso tudo é seu dever”.

5. Tudo no Universo tem duas polaridades: yin/yang, masculino/feminino, positivo/negativo, etc. As emoções e os sentimentos também tem duas polaridades: o outro lado da tristeza é a alegria, do medo é a coragem, da raiva é a energia de realização, do ódio é o amor e o perdão, da ansiedade e da angústia é a calma e o centramento, da baixa auto-estima é a confiança em si mesmo, enfim, nosso grande trabalho de transmutação é estar constantemente reequilibrando estas polaridades. Os hindus diriam que devemos estar sempre transmutando Tamas e Rajas em Sattwa, isto é, trazendo sempre os pensamentos, sentimentos e atos densos, limitadores e negativos, para as freqüências mais sutis.
Viver assim economiza um bocado de energia. Considerando que tudo na vida é passageiro, é mais inteligente procurar mudar a polaridade das coisas e dar a volta por cima do que ficar naufragando constantemente nos mesmos padrões psico-emocionais.

6. Desenvolva a neutralidade e a observação. Os índios chamam isto de “visão da águia”: sair voando de dentro do burburinho dos eventos e, de cima, com uma perspectiva ampla, observar os acontecimentos sem identificação ou julgamentos. Ou, em outro exemplo: sair de dentro do rio caudaloso de nossa vida - onde estamos imersos até o pescoço - sentar na margem e observar. Quando dentro do rio, imersos até o pescoço, qualquer ondinha nos parece um vagalhão, mas quando nos sentamos à beira do rio, a ondinha novamente vira ondinha, e aí podemos ter uma perspectiva mais correta e um envolvimento menos sofrido com as coisas.
Isto desenvolve uma profunda consciência da relatividade dos pontos de vista e, por conseguinte, o redimensionamento da nossa identificação e envolvimento com a transitoriedade da vida.

7. Evite as comparações. Lembra do “jardim do vizinho é sempre mais bonito”? Ledo engano! Grande armadilha! Mal sabemos que o vizinho ao olhar nosso lado também pensa a mesma coisa sobre algum aspecto de nós...
Considerar este fato, te livra do peso dos julgamentos alheios e te torna mais centrado em teu próprio eixo.

8. Os hindus dizem que todas as doenças que existem - sejam físicas, emocionais, psíquicas ou energéticas - derivam, de uma forma ou de outra, de uma única doença: a ignorância de nossa natureza real, a Unidade (eles chamam esta ignorância de avidya e a Unidade de Brahman).
Toda a criação é uma grande web onde tudo é interagente, interdependente e holográfico. Realmente não estamos irremediavelmente presos a tempo e espaço e às três dimensões (não só as antigas tradições, mas a física quântica atual afirmam amplamente esta questão). Considerando nossa natureza una, saiba que não há nada fora de você que você precise obter que já não tenha. Está tudo dentro de você, todo o Universo. Você apenas precisa relembrar sua natureza original, que está pulsando em cada partícula do Universo, em cada pessoa, em cada ser de cada reino. Todo amor, paz e felicidade já estão dentro de você, sempre.
Você decididamente não é um pecador. Você não é uma pedra bruta que precisa ser lapidada. Você já é uma jóia pronta, maravilhosa, só que recoberta pela poeira desta ignorância primordial.
Passar a considerar estas verdades milenares em nossa vida cotidiana desenvolve nossa co-participação consciente no Universo nos seus mais diversos níveis de existência.


9. Todo o Universo é consciente! Cada pessoa, cada animal, cada planta, cada pedra, cada célula, cada átomo, cada galáxia... A consciência não é um privilégio do cérebro humano, que é apenas um dos veículos onde esta Consciência se expressa. Esta é a chamada onipresença e onisciência de Deus. Os índios têm formas sofisticadas de entrar em contato e interagir com a consciência subjacente à Natureza.
Viver considerando este fato torna tua vida muito mais respeitosa, consciente e responsável.

10. Quando a vida nos apresenta algum evento desconfortável, algum obstáculo ou algum confronto, normalmente o que é acionado em nosso corpo/mente é o “automático” lutar ou fugir. A adrenalina está sempre pronta para desencadear ação. Mas a verdade é que na maior parte das vezes não seria necessário lutar nem fugir, bastaria relaxar e observar, e a partir daí agir com consciência, ou então deixar os acontecimentos se desenrolarem naturalmente. Vamos investir mais nas endorfinas! Faça Yoga ou TaiChiChuan!
Desta forma, em todos os níveis e setores da nossa vida, podemos integrar firmeza e simultaneamente relaxamento – só firmeza gera rigidez e só relaxamento gera moleza!

11. Adote a pergunta: “O que é que eu tenho que aprender com isso?”. Todas (todas mesmo) as coisas que nos acontecem, vem para nos ensinar. A vida está sempre fazendo suas arrumações para que possamos aprender e evoluir. Por isso alguém já disse: “cuidado com o que você deseja pois pode acontecer!”. Nós costumamos achar que quando pedimos a Deus alguma virtude, Ele vai milagrosamente introduzir esta virtude em nossa mente e de repente ficamos pacientes, ou disciplinados, ou tolerantes. Provavelmente o que a vida fará é te proporcionar situações que vão te fazer desenvolver aquela virtude. Se você pediu paciência, provavelmente vai atrair pessoas que vão te fazer perdê-la, e aí é que estará o seu aprendizado.
Então, sempre que as pessoas ou as circunstâncias te trouxerem desconfortos ou incômodos, ao invés de se revoltar, se ofender ou se entristecer, ou ainda, achar que a culpa é do outro, pergunte à Vida o que esta situação está te obrigando a trabalhar, que virtudes e qualidades você está tendo que desenvolver para lidar com isso de forma harmônica e equilibrada.
Este procedimento com certeza vai aumentar enormemente a qualidade de nossa consciência e a conseqüente percepção dos movimentos da vida e do seu sentido.

12. Gastamos grande tempo mental ficando angustiados por um passado que não podemos mais mudar e/ou ficando ansiosos por um futuro que ainda não chegou. Outra grande parte, ainda, gastamos sonhando acordados, delirando os nossos sonhos e desejos. E aí duas coisas ocorrem: uma: sobra pouco tempo para a consciência do aqui-e-agora, o presente, que é onde efetivamente a vida acontece; duas: quando precisamos da mente para as coisas que ela foi feita para funcionar – a nossa vida humana diária – esta mente tem dificuldade em se concentrar, em estar presente, inteira, poderosa, centrada.
Concentrando-nos no presente desfrutamos mais da vida. A meditação é um ótimo treinamento para aprender a viver no presente, nos livrando das pré-ocupações e desenvolvendo uma mente verdadeiramente eficiente.

13. Infelizmente, ainda vivemos sob a ideologia do “ganha-perde”, ou seja, temos muito incutida em nossa cultura a idéia de que para se ganhar alguém precisa perder. É assim que se construiu, por exemplo, o sistema capitalista. Também é seguindo esta filosofia que está-se destruindo nosso planeta. E é desse ganha-perde que estão impregnadas as nossas relações (lembra da lei de Gérson?). Não só no sentido profissional e financeiro, mas também no emocional e no afetivo.
É urgente reimplantar-se o “ganha-ganha” nas relações interpessoais e nas relações do homem com a Natureza. Não existe nenhuma possibilidade de ganho real para nada nem ninguém, em nenhum setor da vida, se este ganho for obtido em detrimento da perda de alguém ou de alguma coisa. Na visão oriental, o Karma Yoga é a técnica que visa reeducar o homem e a sociedade para a verdadeira forma de ganhar.
Este procedimento simples pode transformar toda a perspectiva que temos em relação à vida, entendendo e vivendo na prática a grande lei universal de causa e efeito.

14. Atente para a sincronicidade. Uma escritura hindu diz: “Nenhuma folha de grama se mexe sem uma razão”. Nada é casual, mas tudo é intrinsecamente causal. Um outro mestre disse: “nós falamos com Deus através da oração, e Ele nos fala através da sincronicidade”. O Dr. Jung percebeu que era esta qualidade da Criação que fazia com que as artes divinatórias (I Ching, Tarot, Runas, Búzios) funcionassem. Todo o Universo é Um, portanto tudo é interrelacionado. E a Lei do Karma é quem disciplina este interrelacionamento. Atente para os sinais! O tempo todo o Universo está interagindo com você!

Estar atento à sincronicidade desenvolve a intuição e a expansão da percepção do movimento consciente e multidimensional do Universo.

15. E finalmente – e sobretudo - “não faças aos outros o que não queres que te façam” ainda é a regra de ouro.

Viver integralmente assim te torna efetivamente consciente, pleno e equilibrado.



“Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.”

(Platão)



08 março 2010


Seja o tipo de mulher que, quando seus pés tocam a chão a cada manhã, o diabo fala:
"Oh, não, ela acordou!"


Feliz Dia da Mulher para todas, em especial àquelas que fazem ou fizeram parte da minha vida, me ensinando a arte de ser quem sou!

A GUERRA DAS ROSAS


Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Um dia para ações e reflexões; um dia criado para que o mundo todo volte sua atenção para metade de seus habitantes.

A cada 08 de março há comemorações Brasil afora, o comércio lucra um tanto, recebemos cumprimentos, elogios, talvez um mimo e rosas, muitas rosas.

Mas e mundo afora? Como é celebrado este dia no Oriente Médio, em que as mulheres estão condenadas ao enclausuramento de uma burka a vida toda, mostrando não mais que os olhos? E onde elas não podem colocar à mostra tornozelos ou cabelos, correndo o risco de serem apedrejadas ou chicoteadas? E em locais da Africa onde, assim que nascem, passam por um processo de mutilação do clitóris, para que não sejam permitidas de sentir prazer sexual? E a violência doméstica, já banalizada por sua recorrência cotidiana? Séculos se passaram e esses exemplos não são diferentes das bruxas da “Santa” Inquisição e outros horrores que a história nos conta. Apenas por sermos mulheres.

Aqui no Brasil estamos alguns passos à frente. Conquistamos há pouco tempo o direito do voto, do divórcio (e o fim do preconceito que ele trazia à mulher), participamos ativamente da renda familiar (ainda que em muitos casos, com salários inferiores aos dos homens), somos mães e profissionais ao mesmo tempo. Isso tudo de cima de um salto alto e uma mini-saia. Até a Delegacia da Mulher foi criada para assegurar nossa proteção. Vitórias? Em termos.

A luta feminina não é pelo poder, não é pelas fronteiras, não é pela posse. É a guerra que travamos com rosas; é a guerra do amor maternal, da justiça, da delicadeza, da sutileza, do aflorar dos sentimentos, da geração da vida!

Nós só queremos ser respeitadas de igual para igual pelos homens, na condição de humanas que somos. E fico estarrecida com o quão absurda é essa reivindicação. Todos os direitos que citei logo acima, todas as conquistas obtidas não passam de uma incrível inversão de valores.

A verdadeira luta deste dia é fazer com que ele não precise existir mais.

23 fevereiro 2010


"Quando eu morrer, voarei com anjos e, quando morrer para os anjos, eles não imaginam no que eu vou me transformar."

(Rumi, poeta persa do século XIII)

17 fevereiro 2010

"Daria tudo o que sei pela metade do que ignoro."

(Rene Descartes)


Faço minhas essas palavras!

11 fevereiro 2010

Numa sessão da União do Vegetal, José Gabriel da Costa, o Mestre Gabriel, foi questionado sobre como poderíamos diferenciar o que é real do que é ilusão. E ele, numa única frase, sintetizou o que alguns precisariam de páginas para explicar:


“Do Castelo da Ilusão, olho para fora e não vejo nada; do Castelo da Verdade, olho para fora e vejo o Castelo da Ilusão.”

09 fevereiro 2010

Entrevista com Robert Happe



Robert Happe nasceu em Amsterdã, Holanda. Estudou religiões e filosofias ao redor do mundo e desde 1987 vem compartilhando informações com pessoas interessadas em autoconhecimento e desenvolvimento de seus próprios potenciais como seres criadores. Seus seminários e workshops acontecem em países da Europa, na África do Sul, nos EUA, na Austrália, e no Brasil.

Nesta entrevista ele faz explanações sobre nosso modo de viver e a busca pela nova consciência. É de uma simplicidade grandiosa...

Eu passaria horas conversando com esse homem!


Sabedoria musicada











A RAÇA HUMANA
(Gilberto Gil)

A raça humana é
Uma semana do trabalho de Deus

A raça humana é a ferida acesa
Uma beleza, uma podridão
O fogo eterno e a morte
A morte e a ressurreição
A raça humana é
Uma semana do trabalho de Deus

A raça humana é o cristal de lágrima
Da lavra da solidão
Da mina, cujo mapa
Traz na palma da mão
A raça humana é
Uma semana do trabalho de Deus

A raça humana risca, rabisca, pinta
A tinta, a lápis, carvão ou giz
O rosto da saudade
Que traz do gênesis
Dessa semana santa
Entre parênteses
Desse divino oásis
Da grande apoteose
Da perfeição divina
Na grande síntese
A raça humana é
Uma semana do trabalho de Deus
A raça humana é
Uma semana

08 fevereiro 2010

DOGMAS

Quando criança, freqüentei aulas de catecismo durante um bom tempo. Desde aquela época, mesmo sem condições de ter opinião formada sobre determinados assuntos e muito menos argumentar com adultos sobre eles, várias questões vagavam na minha mente enquanto ouvia a professora discorrer sobre os assuntos religiosos, como a vida eterna no céu (nossa, mas eu vou ficar lá pra sempre, fazendo o que?); a expulsão de Adão e Eva do Paraíso após comerem uma maçã (mas o que há de errado nisso, será que eu não devo mais comer maçãs?). Divagações infantis perante um amontoado de informações mal transmitidas. E foi justamente o assunto da maçã a fonte da minha primeira decepção com a religião católica. Naquele dia fiquei sabendo que Adão e Eva aceitaram, de uma serpente, uma maçã de uma tal árvore proibida, o que deixou Deus tão zangado com eles por terem desobedecido às suas ordens, que os expulsou do Paraíso. E mais, que a partir desse dia, todos os humanos nascem com o “pecado original”, por causa da desobediência daquele casal. Pausa para a minha perplexidade de criança...

Eu, na minha inocência infantil, pensei “gente, mas o que foi que eu fiz? Eu não fiz nada e já nasci sem chance alguma? Vou ter que carregar um pecado que não é meu?”. Em cinco minutos me fizeram acreditar que eu já nasci condenada a ser uma pecadora e que Deus é vingativo, inclusive com requintes de crueldade, afinal, que pai expulsa os filhos de casa porque fizeram uma “travessura”? Na época eu me senti perdida, hoje eu alimento uma certa revolta contra esse tipo de ensinamento. Ou melhor, esse tipo de dominação. Mais tarde ainda tentaram me explicar que o comer a maçã tinha um sentido figurativo, que o que eles fizeram foi sexo... aí azedou tudo de vez! Então, o que faz com que sejamos concebidos, o que possibilita a vida é um pecado? Isso significa que meus pais repetiram o erro de Adão e Eva e por isso eu herdei o pecado deles?

Meu Deus, como é possível uma religião embutir tanto medo em seus seguidores, desde crianças? Falo da religião católica, pois foi o modelo de educação que recebi, mas a maioria absoluta das religiões segue o mesmo preceito: a criação do conceito de pecado e a imposição do medo para assumir controle sobre os fiéis arrebanhados. A começar dessa palavra, que nos coloca em condição de um rebanho de ovelhas pastoreadas por homens, mortais e pecadores como qualquer outro (ou por vezes até mais, como frequentemente ficamos sabendo), mas que foram dotados por Deus (!) de poderes de absolvição dos pecados de terceiros.

E lá estive eu quando menina, como ovelha arrebanhada, fazendo primeira comunhão, crisma e me confessando a um homem de vestido que eu tinha brigado com minhas irmãs e desobedecido minha mãe. E logo depois de dois Pai Nosso e três Ave Marias rezados mecanicamente eu já estava livre dos meus “pecados”. Ah, que alívio! Não fosse isso eu estaria condenada a arder por toda a eternidade no fogo do inferno!

E que figura terrível pintam de Deus, um velho barbudo sentado numa poltrona, com seus caderninhos, um dourado para anotar as boas ações que você fizer e um preto para tudo de ruim que você aprontar! Esse Deus julgador, punitivo e vingativo, de quem devemos ter medo. "Deus castiga!" foi frase recorrente na minha infância. E como se Deus, na imensidão do Universo, tivesse tempo pra isso! Nosso juiz é a nossa própria consciência que, estando ligada a Ele, sabe em seu íntimo o caminho que deve seguir. Mas temos o livre-arbítrio, o direito de escolha e invariavelmente recorremos aos velhos caminhos errados, portanto, nós mesmos somos responsáveis por tudo o que acontece conosco. Isso é a lei de causa e consequência aplicada e não um castigo de Deus.

O pecado foi a pior invenção das religiões, que resulta, inevitavelmente, num veneno da alma: a culpa, que não nos leva a nenhum caminho positivo. O segredo de ouro é aprender a eliminar a palavra culpa do dicionário, substituindo-a por responsabilidade. Não sou culpada por isso, sou responsável por isso. Há uma grande diferença!

Felizmente hoje tenho consciência do quanto tentaram me iludir e me defino apenas como espiritualista, não seguindo religião alguma. E posso afirmar que estou bem mais perto de Deus do que jamais estive! O meu Deus é o nosso Criador, o Gerador da vida, que perdoa nossas falhas como uma mãe perdoa seu filho ainda criança, porque entende que ele é inocente na sua essência, apenas não sabe ainda discernir entre o certo e o errado.

Não há indícios de que tenha havido um pedido de fonte divina - seja Deus, Jesus, Buda, Alá... - para que fosse fundada uma religião, isso é uma distorção criada pelo homem. Ficar se apegando a dogmas falidos não ajuda ninguém a encontrar a verdade. A busca não é lá fora, não é no templo, nem nos livros... é só aquietar a mente e olhar pra dentro de si. É aí que mora o seu Deus.

Hoje é o aniversário de nascimento da minha avó. Ela "fez a passagem" no ano passado, depois de algum tempo doente. Minha tia, que morava com ela, continuou morando na mesma casa, com o mesmo número telefônico. Outro dia fui telefonar pra ela e, ao consultar a agenda, o nome do contato ainda era o da minha avó. Substitui pelo nome da minha tia, mas a sensação foi muito estranha, eu estava apagando minha avó da minha agenda, de repente ela se tornou um contato inexistente... A vida é mesmo muito fugaz...
Parabéns, vó! Te amo!

04 fevereiro 2010

"Não diga a Deus que você tem grandes problemas, diga aos seus problemas que você tem um grande Deus."
(autor desconhecido)

30 janeiro 2010

O Pálido Ponto Azul

Um vídeo inspirador, que mostra o planeta Terra de uma forma nunca antes vista... pelo menos não por nós!

Carl Sagan (1934-1996), astrofísico mundialmente respeitado, foi criador da série de TV Cosmos, de grande sucesso nos anos 80, e autor de diversos livros, entre eles, Pálido Ponto Azul (que originou este vídeo) e Contato, que inspirou o filme homônimo. Recomendo!



“O acaso é Deus que passeia incógnito.”

(Albert Einstein)

A CIÊNCIA MATERIALISTA

Apesar dos grandes avanços tecnológicos alcançados no planeta Terra, a partir do século XIX, não é preciso uma análise aprofundada para chegarmos à conclusão do nosso ainda atrasado patamar perante as leis do universo.

É comum, ainda hoje, os meios de comunicação lançarem no ar a velha e desgastada pergunta: “será que não estamos sós no universo?”. Essa pergunta ainda se faz necessária? Alguém ainda crê que o Universo inteiro – numa infinitude que sequer conseguimos compreender – seja habitado apenas pela humanidade num planeta que não passa de um grão perdido na imensidão? Infelizmente, sim. E, ainda pior, há os que nunca pararam para pensar sobre isso.

Quando alguma sonda descobre água em outros planetas, isso gera assunto em nível mundial e uma expectativa sobre a possibilidade de geração de vida. Mas logo vem uma explicação simplista de que a vida lá seria impossível, já que as temperaturas são muito baixas ou muito elevadas, ou que não há gravidade suficiente, ou a atmosfera não é adequada e assim por diante. Mas isso se considerarmos apenas os tipos de vida que conhecemos: a humana, as plantas, os animais. E é aí que insistimos na nossa prepotência em achar que qualquer tipo de vida no universo tenha que se encaixar nos nossos padrões. Padrões... essa é a limitação, o que nos amarra no atraso, pensando em paradigmas. Einstein veio para minimizar um pouco a nossa ignorância e ditou algumas verdades que ainda não puderam ser totalmente compreendidas, como a não-linearidade do tempo e que um deslocamento no espaço não é restrito à velocidade da luz.

A condição tridimensional (eixos x, y, z) é apenas a nossa forma limitada de noção espacial, mas somos condicionados a pensar atrelados a ela e tentando enquadrar tudo nesta condição. Há pouco mais de mil anos o homem nem sequer conseguia desenhar em perspectiva, ou seja, vivia já num mundo tridimensional, mas a mente ainda funcionava bidimensionalmente.

Outros fatores extremamente limitantes são os cinco sentidos, que nos servem de guia para determinarmos o que é “real”. O que não conseguimos ver, ouvir, cheirar, tocar ou sentir o gosto não é entendido como real. A física quântica é uma luz no fim do túnel no âmbito de considerar uma abordagem mais ampla e livre que a física cartesiana. Hoje já se sabe que um átomo - menor unidade da matéria – tem 99,9999% de espaço vazio! Isso significa que a matéria não é sólida ou “real” como entendemos ser.

Outro ponto a se considerar são os opostos, as polaridades: positivo e negativo, bem e mal, certo e errado, e até mesmo masculino e feminino, que nos conduz a conclusões determinantes, nunca considerando um meio termo, um equilíbrio. O que não é cem por cento certo (ou provado) é errado e isso minimiza em muito a consideração de possibilidades mais amplas, além dos padrões certo e errado. A busca pelo equilíbrio entre as forças opostas está presente na maioria das culturas antigas, como o yin yang, da filosofia oriental.

Não é de hoje que se diz que, enquanto a fé e a ciência não derem as mãos, continuaremos sustentando os véus que nos impedem de ver mais além, de alcançar uma compreensão mais ampla das verdades do universo. Acredito que até hoje não tenha funcionado porque as tentativas foram unir ciência com religião, que não passa de um conjunto de regras criadas pelo homem, como mais uma forma de controle e, portanto não é genuína. Para mim é tão claro que existe um Criador, uma força magnífica que rege o todo, que seria a premissa básica para iniciar uma aventura rumo ao desconhecido, sendo impossível dissociar uma coisa da outra: Criador e criaturas.

Os povos antigos, que chegaram às mesmas conclusões a que tem chegado a nossa ciência milhares de anos depois que eles, são, até hoje, tratados como acasos bem sucedidos. É comum uma admiração de como eles poderiam ter chegado a tais conclusões astronômicas, físicas, matemáticas sem instrumentos, estando ainda na “idade da pedra”. Em vez de aprendermos com o que nos deixaram, insistimos em aceitar como novas descobertas somente o que pode ser provado e elas não são muito diferentes do que eles já nos haviam deixado como conhecimento. E é essa falsa noção de superioridade que nos atrasa, pois é claro que os meios que nossos ancestrais usavam eram em muito mais eficientes que os nossos, tanto que nem precisavam dos aparelhos tecnologicamente “avançados” de que dependemos hoje. Eles estavam conectados com o plano superior, com o divino e isso se dava através da consciência, o nosso próprio aparelho, disponível e de graça. Isso é extremamente mais avançado e maior que supomos hoje. Basta analisar os seus mitos, o culto a seus deuses, que eram invariavelmente as forças da natureza, como o sol e a lua, os planetas, a mãe-terra, os quatro elementos, etc, ou seja, tudo o que nos insere num contexto mais amplo de existência, que nos coloca no nosso lugar em relação ao todo, respeitando a criação como algo Sagrado.

E o elo se quebrou quando, ao invés de evoluirmos no mesmo sentido em que eles estavam indo, inserimos as barreiras do ceticismo e materialismo no meio do caminho. E se deu a estagnação, que persiste até hoje.

À nossa ciência, assim como à humanidade em geral, falta um ingrediente básico para a evolução: a humildade. Só assim passaremos da era da ciência para a era da consciência.