
Quando consideramos a multiplicidade das existências é natural que a qualquer hora sejamos surpreendidos por uma profunda dúvida: “Porque então não nos lembramos de nada do que já vivemos?”.
Eu já passei algum tempo com essa questão me rondando, porém não tive ímpetos de me aventurar no desvendar do passado, acreditando que, se chegamos aqui sem nos lembrar, melhor é conformar-se e deixar tudo como está.
Com o passar do tempo, a leitura de alguns bons livros e a conexão com a espiritualidade me esclareceram e fizeram serenar minhas inquietações a esse respeito.
Compreendi que o esquecimento é uma dádiva divina, uma oportunidade justa de pormos à prova nosso comprometimento em fazer a coisa certa desta vez. Se chegássemos aqui sabendo o que viemos resgatar não haveria mérito no cumprimento da tarefa. A verdadeira prova é estarmos submetidos às vibrações inferiores da Terra e ainda assim sustentarmos a firmeza nos propósitos assumidos para esta vida, enfrentando a dura caminhada e escapando ilesos da tentação de sucumbir aos atalhos fáceis. A máxima “eu não pedi pra nascer” já virou lenda e quem se apega a essa crença está desperdiçando a chance de saber a que veio. Acredito que se estamos aqui é por nossa própria escolha, pois temos ciência de nossas dívidas com o planeta ou com nossos semelhantes e mais, aceitamos, e até pedimos, as condições em que nascemos ou que nos são apresentadas durante a vida.
Sendo a existência uma constante evolução não é difícil imaginar que já fomos seres menos esclarecidos e menos conscientes do que somos hoje. Então, o esquecimento torna-se fundamental, pois se acaso soubéssemos os males que já causamos a outros e/ou a nós mesmos, talvez ficássemos remoendo as culpas sem conseguir prosperar. Retornar livre do pesado fardo das memórias é ter a chance de poder re-pintar um velho quadro com novas tintas.
Além de esquecermos nosso passado, acabamos nos esquecendo também da nossa missão pessoal, o motivo-chave que nos trouxe até aqui, nosso papel no mundo. Muitas pessoas sentem uma ansiedade, uma sensação incômoda a lhes acompanhar e por vezes passam a vida toda sem descobrir que o desconforto é a luta que está sendo travada entre a consciência e as atitudes, por estar trilhando um caminho diferente da rota traçada no plano espiritual. O segredo é querer saber “o que eu vim fazer aqui?”, pois ao contrário da necessidade de esquecimento do passado, a busca pela missão é o alimento do Espírito e descobri-la é a força-motriz que nos impulsiona à ação e nos coloca a trilhar o caminho reto. Reto, certeiro, sem desvios e na retidão da conduta.
Recordar a missão é possibilidade ao alcance de qualquer um que tenha um desejo legítimo de desvendá-la. E é fantástico quando isso acontece, a vida colore-se, portas vão se abrindo e ligando fatos, pessoas, acontecimentos, tudo passa a fazer sentido, e as dificuldades são encaradas com abnegação e coragem, não com temor ou desânimo. E a chave que abre a porta que guarda sua missão é a fé.
Se estamos aqui hoje, nossa história já tem grosso livro escrito. E essa vida é uma página em branco oferecida generosamente por Deus para escrevermos um novo belo capítulo da nossa existência.
O que você pretende deixar escrito sobre você?
E, parafraseando Chico Xavier - ou Emmanuel -: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora, a fazer um novo final”.

Adorei!!
ResponderExcluirTambém penso desta forma!
Creio que não devemos tentar enveredar nos mistérios que cercam nossa existência espiritual pretérita e sim tentarmos com todas as nossas forças, fazermos o melhor desta vez, aproveitando ao máximo mais esta oportunidade de crescer e evoluir neste Planeta chamado Terra...
Grande Abraço!