Há tanto dentro de mim que às vezes não cabe... é preciso extravasar...
Deixo aqui um pouco das minhas ideias, dos meus pensamentos. E também propago os ideais de famosos deste e de outros tempos, pois acreditar num mundo melhor ainda é vanguarda!






16 março 2010


“Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.”

(Platão)



08 março 2010


Seja o tipo de mulher que, quando seus pés tocam a chão a cada manhã, o diabo fala:
"Oh, não, ela acordou!"


Feliz Dia da Mulher para todas, em especial àquelas que fazem ou fizeram parte da minha vida, me ensinando a arte de ser quem sou!

A GUERRA DAS ROSAS


Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Um dia para ações e reflexões; um dia criado para que o mundo todo volte sua atenção para metade de seus habitantes.

A cada 08 de março há comemorações Brasil afora, o comércio lucra um tanto, recebemos cumprimentos, elogios, talvez um mimo e rosas, muitas rosas.

Mas e mundo afora? Como é celebrado este dia no Oriente Médio, em que as mulheres estão condenadas ao enclausuramento de uma burka a vida toda, mostrando não mais que os olhos? E onde elas não podem colocar à mostra tornozelos ou cabelos, correndo o risco de serem apedrejadas ou chicoteadas? E em locais da Africa onde, assim que nascem, passam por um processo de mutilação do clitóris, para que não sejam permitidas de sentir prazer sexual? E a violência doméstica, já banalizada por sua recorrência cotidiana? Séculos se passaram e esses exemplos não são diferentes das bruxas da “Santa” Inquisição e outros horrores que a história nos conta. Apenas por sermos mulheres.

Aqui no Brasil estamos alguns passos à frente. Conquistamos há pouco tempo o direito do voto, do divórcio (e o fim do preconceito que ele trazia à mulher), participamos ativamente da renda familiar (ainda que em muitos casos, com salários inferiores aos dos homens), somos mães e profissionais ao mesmo tempo. Isso tudo de cima de um salto alto e uma mini-saia. Até a Delegacia da Mulher foi criada para assegurar nossa proteção. Vitórias? Em termos.

A luta feminina não é pelo poder, não é pelas fronteiras, não é pela posse. É a guerra que travamos com rosas; é a guerra do amor maternal, da justiça, da delicadeza, da sutileza, do aflorar dos sentimentos, da geração da vida!

Nós só queremos ser respeitadas de igual para igual pelos homens, na condição de humanas que somos. E fico estarrecida com o quão absurda é essa reivindicação. Todos os direitos que citei logo acima, todas as conquistas obtidas não passam de uma incrível inversão de valores.

A verdadeira luta deste dia é fazer com que ele não precise existir mais.

23 fevereiro 2010


"Quando eu morrer, voarei com anjos e, quando morrer para os anjos, eles não imaginam no que eu vou me transformar."

(Rumi, poeta persa do século XIII)

17 fevereiro 2010

"Daria tudo o que sei pela metade do que ignoro."

(Rene Descartes)


Faço minhas essas palavras!

11 fevereiro 2010

Numa sessão da União do Vegetal, José Gabriel da Costa, o Mestre Gabriel, foi questionado sobre como poderíamos diferenciar o que é real do que é ilusão. E ele, numa única frase, sintetizou o que alguns precisariam de páginas para explicar:


“Do Castelo da Ilusão, olho para fora e não vejo nada; do Castelo da Verdade, olho para fora e vejo o Castelo da Ilusão.”

09 fevereiro 2010

Entrevista com Robert Happe



Robert Happe nasceu em Amsterdã, Holanda. Estudou religiões e filosofias ao redor do mundo e desde 1987 vem compartilhando informações com pessoas interessadas em autoconhecimento e desenvolvimento de seus próprios potenciais como seres criadores. Seus seminários e workshops acontecem em países da Europa, na África do Sul, nos EUA, na Austrália, e no Brasil.

Nesta entrevista ele faz explanações sobre nosso modo de viver e a busca pela nova consciência. É de uma simplicidade grandiosa...

Eu passaria horas conversando com esse homem!


Sabedoria musicada











A RAÇA HUMANA
(Gilberto Gil)

A raça humana é
Uma semana do trabalho de Deus

A raça humana é a ferida acesa
Uma beleza, uma podridão
O fogo eterno e a morte
A morte e a ressurreição
A raça humana é
Uma semana do trabalho de Deus

A raça humana é o cristal de lágrima
Da lavra da solidão
Da mina, cujo mapa
Traz na palma da mão
A raça humana é
Uma semana do trabalho de Deus

A raça humana risca, rabisca, pinta
A tinta, a lápis, carvão ou giz
O rosto da saudade
Que traz do gênesis
Dessa semana santa
Entre parênteses
Desse divino oásis
Da grande apoteose
Da perfeição divina
Na grande síntese
A raça humana é
Uma semana do trabalho de Deus
A raça humana é
Uma semana

08 fevereiro 2010

DOGMAS

Quando criança, freqüentei aulas de catecismo durante um bom tempo. Desde aquela época, mesmo sem condições de ter opinião formada sobre determinados assuntos e muito menos argumentar com adultos sobre eles, várias questões vagavam na minha mente enquanto ouvia a professora discorrer sobre os assuntos religiosos, como a vida eterna no céu (nossa, mas eu vou ficar lá pra sempre, fazendo o que?); a expulsão de Adão e Eva do Paraíso após comerem uma maçã (mas o que há de errado nisso, será que eu não devo mais comer maçãs?). Divagações infantis perante um amontoado de informações mal transmitidas. E foi justamente o assunto da maçã a fonte da minha primeira decepção com a religião católica. Naquele dia fiquei sabendo que Adão e Eva aceitaram, de uma serpente, uma maçã de uma tal árvore proibida, o que deixou Deus tão zangado com eles por terem desobedecido às suas ordens, que os expulsou do Paraíso. E mais, que a partir desse dia, todos os humanos nascem com o “pecado original”, por causa da desobediência daquele casal. Pausa para a minha perplexidade de criança...

Eu, na minha inocência infantil, pensei “gente, mas o que foi que eu fiz? Eu não fiz nada e já nasci sem chance alguma? Vou ter que carregar um pecado que não é meu?”. Em cinco minutos me fizeram acreditar que eu já nasci condenada a ser uma pecadora e que Deus é vingativo, inclusive com requintes de crueldade, afinal, que pai expulsa os filhos de casa porque fizeram uma “travessura”? Na época eu me senti perdida, hoje eu alimento uma certa revolta contra esse tipo de ensinamento. Ou melhor, esse tipo de dominação. Mais tarde ainda tentaram me explicar que o comer a maçã tinha um sentido figurativo, que o que eles fizeram foi sexo... aí azedou tudo de vez! Então, o que faz com que sejamos concebidos, o que possibilita a vida é um pecado? Isso significa que meus pais repetiram o erro de Adão e Eva e por isso eu herdei o pecado deles?

Meu Deus, como é possível uma religião embutir tanto medo em seus seguidores, desde crianças? Falo da religião católica, pois foi o modelo de educação que recebi, mas a maioria absoluta das religiões segue o mesmo preceito: a criação do conceito de pecado e a imposição do medo para assumir controle sobre os fiéis arrebanhados. A começar dessa palavra, que nos coloca em condição de um rebanho de ovelhas pastoreadas por homens, mortais e pecadores como qualquer outro (ou por vezes até mais, como frequentemente ficamos sabendo), mas que foram dotados por Deus (!) de poderes de absolvição dos pecados de terceiros.

E lá estive eu quando menina, como ovelha arrebanhada, fazendo primeira comunhão, crisma e me confessando a um homem de vestido que eu tinha brigado com minhas irmãs e desobedecido minha mãe. E logo depois de dois Pai Nosso e três Ave Marias rezados mecanicamente eu já estava livre dos meus “pecados”. Ah, que alívio! Não fosse isso eu estaria condenada a arder por toda a eternidade no fogo do inferno!

E que figura terrível pintam de Deus, um velho barbudo sentado numa poltrona, com seus caderninhos, um dourado para anotar as boas ações que você fizer e um preto para tudo de ruim que você aprontar! Esse Deus julgador, punitivo e vingativo, de quem devemos ter medo. "Deus castiga!" foi frase recorrente na minha infância. E como se Deus, na imensidão do Universo, tivesse tempo pra isso! Nosso juiz é a nossa própria consciência que, estando ligada a Ele, sabe em seu íntimo o caminho que deve seguir. Mas temos o livre-arbítrio, o direito de escolha e invariavelmente recorremos aos velhos caminhos errados, portanto, nós mesmos somos responsáveis por tudo o que acontece conosco. Isso é a lei de causa e consequência aplicada e não um castigo de Deus.

O pecado foi a pior invenção das religiões, que resulta, inevitavelmente, num veneno da alma: a culpa, que não nos leva a nenhum caminho positivo. O segredo de ouro é aprender a eliminar a palavra culpa do dicionário, substituindo-a por responsabilidade. Não sou culpada por isso, sou responsável por isso. Há uma grande diferença!

Felizmente hoje tenho consciência do quanto tentaram me iludir e me defino apenas como espiritualista, não seguindo religião alguma. E posso afirmar que estou bem mais perto de Deus do que jamais estive! O meu Deus é o nosso Criador, o Gerador da vida, que perdoa nossas falhas como uma mãe perdoa seu filho ainda criança, porque entende que ele é inocente na sua essência, apenas não sabe ainda discernir entre o certo e o errado.

Não há indícios de que tenha havido um pedido de fonte divina - seja Deus, Jesus, Buda, Alá... - para que fosse fundada uma religião, isso é uma distorção criada pelo homem. Ficar se apegando a dogmas falidos não ajuda ninguém a encontrar a verdade. A busca não é lá fora, não é no templo, nem nos livros... é só aquietar a mente e olhar pra dentro de si. É aí que mora o seu Deus.

Hoje é o aniversário de nascimento da minha avó. Ela "fez a passagem" no ano passado, depois de algum tempo doente. Minha tia, que morava com ela, continuou morando na mesma casa, com o mesmo número telefônico. Outro dia fui telefonar pra ela e, ao consultar a agenda, o nome do contato ainda era o da minha avó. Substitui pelo nome da minha tia, mas a sensação foi muito estranha, eu estava apagando minha avó da minha agenda, de repente ela se tornou um contato inexistente... A vida é mesmo muito fugaz...
Parabéns, vó! Te amo!

04 fevereiro 2010

"Não diga a Deus que você tem grandes problemas, diga aos seus problemas que você tem um grande Deus."
(autor desconhecido)

30 janeiro 2010

O Pálido Ponto Azul

Um vídeo inspirador, que mostra o planeta Terra de uma forma nunca antes vista... pelo menos não por nós!

Carl Sagan (1934-1996), astrofísico mundialmente respeitado, foi criador da série de TV Cosmos, de grande sucesso nos anos 80, e autor de diversos livros, entre eles, Pálido Ponto Azul (que originou este vídeo) e Contato, que inspirou o filme homônimo. Recomendo!



“O acaso é Deus que passeia incógnito.”

(Albert Einstein)

A CIÊNCIA MATERIALISTA

Apesar dos grandes avanços tecnológicos alcançados no planeta Terra, a partir do século XIX, não é preciso uma análise aprofundada para chegarmos à conclusão do nosso ainda atrasado patamar perante as leis do universo.

É comum, ainda hoje, os meios de comunicação lançarem no ar a velha e desgastada pergunta: “será que não estamos sós no universo?”. Essa pergunta ainda se faz necessária? Alguém ainda crê que o Universo inteiro – numa infinitude que sequer conseguimos compreender – seja habitado apenas pela humanidade num planeta que não passa de um grão perdido na imensidão? Infelizmente, sim. E, ainda pior, há os que nunca pararam para pensar sobre isso.

Quando alguma sonda descobre água em outros planetas, isso gera assunto em nível mundial e uma expectativa sobre a possibilidade de geração de vida. Mas logo vem uma explicação simplista de que a vida lá seria impossível, já que as temperaturas são muito baixas ou muito elevadas, ou que não há gravidade suficiente, ou a atmosfera não é adequada e assim por diante. Mas isso se considerarmos apenas os tipos de vida que conhecemos: a humana, as plantas, os animais. E é aí que insistimos na nossa prepotência em achar que qualquer tipo de vida no universo tenha que se encaixar nos nossos padrões. Padrões... essa é a limitação, o que nos amarra no atraso, pensando em paradigmas. Einstein veio para minimizar um pouco a nossa ignorância e ditou algumas verdades que ainda não puderam ser totalmente compreendidas, como a não-linearidade do tempo e que um deslocamento no espaço não é restrito à velocidade da luz.

A condição tridimensional (eixos x, y, z) é apenas a nossa forma limitada de noção espacial, mas somos condicionados a pensar atrelados a ela e tentando enquadrar tudo nesta condição. Há pouco mais de mil anos o homem nem sequer conseguia desenhar em perspectiva, ou seja, vivia já num mundo tridimensional, mas a mente ainda funcionava bidimensionalmente.

Outros fatores extremamente limitantes são os cinco sentidos, que nos servem de guia para determinarmos o que é “real”. O que não conseguimos ver, ouvir, cheirar, tocar ou sentir o gosto não é entendido como real. A física quântica é uma luz no fim do túnel no âmbito de considerar uma abordagem mais ampla e livre que a física cartesiana. Hoje já se sabe que um átomo - menor unidade da matéria – tem 99,9999% de espaço vazio! Isso significa que a matéria não é sólida ou “real” como entendemos ser.

Outro ponto a se considerar são os opostos, as polaridades: positivo e negativo, bem e mal, certo e errado, e até mesmo masculino e feminino, que nos conduz a conclusões determinantes, nunca considerando um meio termo, um equilíbrio. O que não é cem por cento certo (ou provado) é errado e isso minimiza em muito a consideração de possibilidades mais amplas, além dos padrões certo e errado. A busca pelo equilíbrio entre as forças opostas está presente na maioria das culturas antigas, como o yin yang, da filosofia oriental.

Não é de hoje que se diz que, enquanto a fé e a ciência não derem as mãos, continuaremos sustentando os véus que nos impedem de ver mais além, de alcançar uma compreensão mais ampla das verdades do universo. Acredito que até hoje não tenha funcionado porque as tentativas foram unir ciência com religião, que não passa de um conjunto de regras criadas pelo homem, como mais uma forma de controle e, portanto não é genuína. Para mim é tão claro que existe um Criador, uma força magnífica que rege o todo, que seria a premissa básica para iniciar uma aventura rumo ao desconhecido, sendo impossível dissociar uma coisa da outra: Criador e criaturas.

Os povos antigos, que chegaram às mesmas conclusões a que tem chegado a nossa ciência milhares de anos depois que eles, são, até hoje, tratados como acasos bem sucedidos. É comum uma admiração de como eles poderiam ter chegado a tais conclusões astronômicas, físicas, matemáticas sem instrumentos, estando ainda na “idade da pedra”. Em vez de aprendermos com o que nos deixaram, insistimos em aceitar como novas descobertas somente o que pode ser provado e elas não são muito diferentes do que eles já nos haviam deixado como conhecimento. E é essa falsa noção de superioridade que nos atrasa, pois é claro que os meios que nossos ancestrais usavam eram em muito mais eficientes que os nossos, tanto que nem precisavam dos aparelhos tecnologicamente “avançados” de que dependemos hoje. Eles estavam conectados com o plano superior, com o divino e isso se dava através da consciência, o nosso próprio aparelho, disponível e de graça. Isso é extremamente mais avançado e maior que supomos hoje. Basta analisar os seus mitos, o culto a seus deuses, que eram invariavelmente as forças da natureza, como o sol e a lua, os planetas, a mãe-terra, os quatro elementos, etc, ou seja, tudo o que nos insere num contexto mais amplo de existência, que nos coloca no nosso lugar em relação ao todo, respeitando a criação como algo Sagrado.

E o elo se quebrou quando, ao invés de evoluirmos no mesmo sentido em que eles estavam indo, inserimos as barreiras do ceticismo e materialismo no meio do caminho. E se deu a estagnação, que persiste até hoje.

À nossa ciência, assim como à humanidade em geral, falta um ingrediente básico para a evolução: a humildade. Só assim passaremos da era da ciência para a era da consciência.

29 janeiro 2010


"Não existem caminhos para a felicidade. A felicidade é o caminho."

(Mahatma Gandhi)

A BUSCA DA FELICIDADE


... e viveram felizes para sempre!
Esse bordão, a que somos submetidos desde crianças nos impele a uma busca que, mais cedo ou mais tarde, concluímos ser utópica.
É só olhar nas prateleiras das livrarias para constatar o impressionante – e ainda crescente – número de títulos a respeito do tema. São inúmeras teorias, fórmulas e até mesmo receitas, como se tal feito pudesse ser ensinado.
Certa vez, li um trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo, intitulado “A felicidade não é deste mundo” e aquilo, em princípio soou estranho para mim, como se tivessem acabado as minhas chances. Mas depois de alguma reflexão compreendi que realmente a felicidade completa e “para sempre” é uma busca eterna e não há notícias de alguém que tenha sido bem sucedido em cem por cento da empreitada. Essa procura depende de um outro sentimento, este sim imprescindível à vida: a esperança. Quem não tem esperança, seja em encontrar a felicidade, ou em qualquer outro aspecto do existir, não encontra mais sentido em continuar vivendo. Em outras palavras, a esperança que carregamos de que um dia seremos felizes é a força motriz da vida, o que nos impulsiona para a ação.
Se considerarmos que estamos num mundo em que temos que conviver com a dor física, doenças, com as limitações da matéria, as dúvidas acerca da existência e da morte e sentimentos como o medo, é fácil compreender porque ninguém consegue ser feliz o tempo todo em todos os aspectos da vida.
Mas vejo que o importante é a atitude que tomamos perante os fatos que determina se uma situação será mais ou menos traumática, mais ou menos dolorosa. Creio que seja possível tirar uma boa lição de cada coisa que acontece conosco, se assumirmos uma postura de comandantes do nosso destino, deixando de lado a posição mais cômoda, a de vítimas. Fácil? Claro que não. É um exercício, que como deve ser, requer prática, a arte da persistência.
O sofrimento é uma opção de quem tem pena de si mesmo. O sofrimento não é um sinônimo da tristeza e sim, colocar-se no papel de vítima diante da tristeza, sucumbindo a ela. Tomando como exemplo a morte de um ente querido, a grande tristeza pela perda é natural, mas temos uma escolha a ser feita. Podemos começar por substituir a palavra “morte” por “passagem”, por exemplo, crendo que a vida do nosso ser amado não terminou, ele não morreu, só não pode mais ser visto, por enquanto. Sem a fé em algo maior que nós, fica difícil entender esta privação do contato com quem amamos, ficando assim, sem notícias. A outra opção é nos entregarmos ao sofrimento, lamentando a “perda” da pessoa, culpando a Deus por ter “tirado” a pessoa amada de nossas vidas e assim por diante.
É possível estar triste e feliz ao mesmo tempo. O contrário da felicidade não é a tristeza e sim a infelicidade. A tristeza é algo natural, nos faz refletir, ponderar. Já a infelicidade, creio ser uma opção. Pois infeliz é aquele que se entrega à amargura, ao ressentimento, ao sofrimento, infeliz é o descontente, que despreza a capacidade de ver o lado belo da vida.
Ao assumirmos uma maior atuação sobre o nosso centro de controle interno, conseguimos parar de culpar os fatores externos (uma determinada situação, os outros) pelos nossos insucessos e, mudando o foco para nós mesmos, conseguimos analisar como podemos agir, o que podemos mudar.
Às vezes passamos uma vida toda buscando a chave para abrir a porta para a felicidade. Mas a porta está trancada pelo lado de dentro... querer abri-la é nossa escolha.

Um exemplo de humildade

Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior. A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe. A sabedoria superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.

(Chico Xavier)

28 janeiro 2010

DESVENDANDO A MATRIX


A partir do momento em que tomamos consciência, que percebemos a real importância de nossa existência e de como somos responsáveis por cada etapa de nossa evolução, compreendemos quão iludidos estávamos, acomodados em nossos sofás ou, ainda pior, encenando um espetáculo feito marionetes manejadas por quem quer que seja: pai, mãe, cônjuge, sociedade, governo, dinheiro, títulos.
Hoje revi o filme Matrix. Considero este filme uma metáfora perfeita do que é a vida neste planeta, onde Neo, o personagem principal, tem um questionamento inquietante - o que é a Matrix? - que representa as perguntas básicas de quem deseja olhar
outside the box: “Quem somos nós? O que viemos fazer aqui? Quem ou o que é Deus? Porque nos criou?”. Essas perguntas feitas naturalmente por uma criança vão ficando adormecidas dentro de nós enquanto somos moldados pela sociedade materialista em que vivemos. E nos recusamos a mantê-las vivas, porque dá trabalho pensar, questionar, procurar uma explicação. É mais cômodo viver a vida prosaicamente. É o caminho mais fácil.
Voltando ao filme, fatos estranhos começam a acontecer com o personagem, que inicialmente tenta racionalizar a situação, procurando entender como aquelas pessoas sabem quem ele é, seu nome, seus questionamentos e tenta convencer a si mesmo de que aquilo tudo é loucura. Mas percebe que, apesar da dúvida, se ele não domar o medo e se entregar, não se perdoará por perder a chance de conhecer a verdade. Essa é a representação da fé, quando é preciso se permitir crer em algo que está além do alcance da mente lógica. É preciso sentir com o coração, com a alma, deixando julgamentos e idéias pré-concebidas de lado. É o crer para ver.
Quando Morpheus apresenta a ele uma pílula azul e outra vermelha, coloca em suas mãos uma decisão, sua única chance: se tomar a pílula azul esquecerá de tudo e passará a viver como todo mundo. Optando pela vermelha, Morpheus diz que o que pode oferecer é a verdade, nada mais que isso. Ele não sabe o que é a verdade, não sabe que conseqüências terá de enfrentar ao se deparar com ela, mas é um questionador nato e, obviamente, engole a
pílula vermelha sem hesitar.
E sua descoberta de que a referência humana de realidade não passa de um cenário virtual comandado pela imposição do medo, é exatamente o que acontece quando despertamos do estado hipnótico a que nos submetemos, aceitando valores ilusórios, meramente materiais. Não é fácil encarar esta nova perspectiva, perceber que a maioria ainda vive anestesiada e pior, que não querem sair do torpor.
As coisas só começam a funcionar para Neo quando ele realmente começa a acreditar que aquilo que ele está vivendo é o mundo real. Ele passa a acreditar em si mesmo, em sua capacidade de transcender os 5 sentidos e assume habilidades antes impensadas. A partir daí ele torna-se invencível, pois passa a enxergar as coisas como elas realmente são.
A vida nos apresenta algumas oportunidades, cabe a cada um escolher a cor da pílula e optar entre permanecer num estado latente ou a busca da verdade.
Quando eu vi a toca do coelho à minha frente, ouvi a pergunta: “Quão fundo você quer ir?”. “O mais fundo possível”, respondi a mim mesma. E durante a queda, não sabendo onde aquilo iria dar, hesitei por um segundo: “mas porque estou indo para baixo? Eu não deveria estar indo para cima?”. E naquele instante eu entendi que não estava indo pro fundo. Eu estava num mergulho profundo...